07 janeiro 2021

Primeiro Amor - Alexandre


 

Tem muitas coisas que aconteceram no ano passado e que eu não comentei devido à situação caótica causada pela pandemia do Coronavírus. 

Eu sempre me preocupei que os meus filhos sofressem por amor. E isso finalmente aconteceu.

Meu filho mais novo tinha uma amiga muito próxima, chamada Milena, que era da mesma turma que ele no colégio. Em 2019 se eu insinuasse que os dois eram algo mais do que só amigos, o Alexandre reagiria muito rispidamente, negando e dizendo que ela era a sua melhor amiga. Pois bem...

No começo de 2020, algo desandou nessa amizade. Por algum motivo, que ele nunca me contou, a menina cortou relações drasticamente com ele. Ele passou a chorar pelos cantos, tentava falar com ela pelo celular e quando não dava certo, ele saia esmurrando as coisas pela casa.

Fomos a algumas consultas no IPq-HC no começo do ano e eu contei para o médico a situação, mas como o Alexandre não se abriu com ele, o médico não pode fazer muita coisa além de aumentar a dose dos remédios que ele estava tomando. Depois, devido a quarentena, fiquei com medo de ir até o HC e o atendimento do Alexandre foi suspenso.

Tentei conversar com ele sobre o caso, mas como ele não se abria comigo pude entender mais ou menos o que estava acontecendo. A garota era o seu primeiro amor! Um amor avassalador como todo primeiro amor. Ele pretendia casar com ela em 2021, ter uma casa, uma família e ser feliz! Como nas histórias românticas. Mas, parece que ele fez alguma coisa que enfureceu a menina e ela cortou relações com ele.

Ele emagreceu muito, e começou a me pedir calmantes. Eu comprei calmantes fitoterápicos, como Maracujina, Calman, etc. Por um bom tempo  ele tomou esses calmantes.

Quando eu tentava conversar com ele, faze-lo pensar na situação, ele reagia mal, e dizia que eu fazia ele ficar pior !

A coordenadora do colégio me ligou, pois todos perceberam que ele estava mais magro e que havia uma distância entre ele e a menina, que antes eram super amigos e que agora nem se falavam. Numa dessas conversas ela me enviou uma foto da mesa de escola dele, onde ele fez um desenho e escreveu umas palavras bem depressivas, com indícios de suicídio. Os colegas de classe viram, fotografaram e avisaram a coordenadora e então ela me ligou. 

Conversei com ele, e disse que diferente do que ele pensava, os colegas de classe e a coordenação se importavam com ele sim, e mostrei a foto e contei sobre a preocupação de todos.

Para piorar a situação, a menina começou a "ficar" com um amigo dele! Depois veio a quarentena e eles se afastaram. O Alexandre ainda tentou contato com a menina algumas vezes, mas depois parou. 

Continuei dando calmantes fitoterápicos para ele, e a um certo momento introduzi florais. Comecei com o Rescue Remedy e depois pedi a uma amiga uma fórmula para a concentração nos estudos, pois a tempos eu queria para com a Ritalina, e como não íamos mais ao IPq resolvi para com os remédios dados pelo psiquiatra.

Passei o ano inteiro vigiando esse rapaz. Observando se entraria em depressão novamente, observando se cometeria algum ato contra a sua integridade física.

Ele já não gostava de sair de casa e agora com a quarentena estava tudo perfeito! Mas, ele começou a ficar cada vez mais antissocial! Não fala, não conversa, não responde quando cumprimento, não quer ser beijado, abraçado, ou tocado. Por duas vezes encrenquei feio com ele por causa disso, pois ele rejeitou o meu carinho de uma forma muito bruta, que me magoou muito!

Já estamos em 2021, sobrevivemos a 2020, com algum grau de sanidade. Ele foi aprovado no colégio, mas não se inscreveu para nenhum vestibular. Ele não tem ideia do que quer fazer. Ainda estamos numa pandemia e sair procurando emprego nesse momento é arriscado. Vamos ver o que vai acontecer, espero que a situação melhore e que ele encontre o seu caminho!

Nesse caso a pandemia, a quarentena, foi uma bênção! Foi graças a ela que o Alexandre se distanciou daquela menina e da situação escolar desfavorável. Abençoada quarentena!

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