29 março 2008

Pensei que meu filho fosse morrer em meus braços!


Hoje fomos a uma festinha de aniversário de um colega da turma do Alexandre. Foi no salão de festas do prédio dele. Muitas crianças correndo, crianças brigando, crianças caindo, tudo sem controle. Fiquei sentada numa mesa conversando com a mãe do André e a mãe do Thales e ficava de olho nos meninos.
De repente o Alexandre veio correndo prá mim assustado, os olhos arregalados, dizendo que o Henrique estava chorando na piscina de bolinhas. Levantei e fui ver. Ele estava deitado meio enterrando nas bolinhas, lá no fundo. Eu chamei e ele não se mexeu. Tremi. Fui entrando sem jeito na piscina, tentando não machucar nenhuma criança até chegar a ele. Ele abria a boca procurando ar e parecia que não conseguia respirar. Passei uma mão por baixo dele e a outra massageei o peito falando com ele: "Henrique, respira, fica calmo, respira." Quando ele entreabriu os olhos e eu vi a pupila correr de um lado a outro quase virei para trás e gritei por uma ambulância! Pensei que ele fosse morrer em meus braços e pedi desesperadamente a Deus que não permitisse uma coisa dessas! Eu ouvia as pessoas ao meu redor falando (Tira ele daí. Abana ele.) Percebi que todas as crianças haviam saído da piscina de bolinha. De repente um homem me estendeu um pratinho descartável para eu abanar ele. Abanei. Ele não abria os olhos, mas percebi que respirava finalmente. Fiquei dizendo repetidamente para ele ficar calmo e isso funcionava para ele e para mim. De repente um homem apareceu do meu lado, dentro da piscina de bolinhas, então reparei que haviam tirado a cobertura da piscina. Este homem pegou o Henrique no colo e o carregou para fora da piscina. Então o Henrique começou a chorar descontroladamente. Um choro de forte descarga emocional após um susto muito grande. Colocaram uma cadeira prá mim, sentei com ele no colo e ele continuava chorando. Tentei acalmá-lo e saber o que tinha acontecido, onde doía e se ele estava conseguindo respirar bem. Mas ele pouco respondeu. As pessoas ao redor perguntavam se eu estava de carro, se queria ir pro hospital, se chamava meu marido e etc. Após alguns segundos ele estava parando o choro, graças as minhas palavras de consolo (Já passou, você está respirando, vamos para casa...) Ele ainda custava a abrir os olhos e eu pensei se poderia ser por vergonha, mas eu precisava ver os olhos dele, por isso insisti e finalmente ele os abriu. Estavam normais, perguntei se ele enxergava direito, disse que sim, se respirava direito, disse que sim. O Alexandre pegou os tênis quando pedi, depois de prontos resolvi ir embora e passar no Hospital da Criança. A Glória ainda insistiu para ir comigo mas agradeci e recusei.
Na saída consegui mais ou menos descobrir o que tinha acontecido, parece que um menino pulou em cima dele e isso causou a parada momentânea na respiração.
Finalmente o Henrique falou que estava com medo de isso acontecer novamente. Procurei tranqüiliza-lo o máximo possível dizendo que não ia acontecer outra vez.
Saindo da festa fui ao Hospital da Criança. Perda de tempo! Não fomos atendidos pois eu não estava com a carteirinha dele ou com documentos dele. Graças a Deus ele se recuperou sozinho! Pois se fosse com ele lá com falta de ar ele iria morrer sem atendimento! Acredito que foi por causa do impacto no abdomem e no tórax que ocorreu a parada respiratória, mas mesmo assim estou preocupada, e se for algo a mais?
No caminho para casa finalmente liberei o meu auto controle férreo e comecei a chorar. Em um dado momento surgiu um fúria tão grande que rangi os dentes até doer e empurrei com toda a força o volante do carro, minha vontade era de torcer o volante, de quebrar algo, de bater em alguma coisa ou em alguém!
Chegando em casa, os meninos colocaram pijamas, comeram cereal, assistiram Scooby-Doo. Eu ligue para a Antônia e avisei que não íamos na casa dela. Depois fui para o escritório e resolvi escrever este post, pois precisava desabafar, tirar tudo isso de dentro de mim. Então comecei a chorar novamente. De repente o Alexandre estava ao meu lado fazendo carinho, preocupado comigo. Para tranqüilizá-lo expliquei que eu havia ficado com muito medo mas que agora estava tudo bem e que eu precisava chorar para me acalmar e que chorar faz bem. O Henrique também apareceu e repeti a mesma explicação.
Com meus filhos dormindo tranqüilos e em segurança na minha cama, pensei sobre o acontecido, e que muitos, inclusive meu marido, acham que eu sou muito preocupada, que fico muito em cima dos meninos vigiando... Olha só o que quase aconteceu, Deus do céu! O Alexandre se comportou exemplarmente, ele foi o herói da noite! Foi buscar socorro para o irmão e não saiu de perto dele o tempo todo!
Agora estou exausta, preciso dormir, tomei uns dois comprimidos para dormir.

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